Efeitos colaterais comuns dos remédios para diabetes

Última atualização: 04,10,2025 por Professor Borges

O tratamento do diabetes envolve, em muitos casos, o uso de medicamentos que ajudam a controlar os níveis de glicose no sangue. Esses remédios podem ser orais ou injetáveis, e cada classe possui um mecanismo de ação diferente. 

Apesar de serem fundamentais para manter a saúde e evitar complicações, é importante conhecer os efeitos colaterais mais comuns, já que eles podem variar de pessoa para pessoa. Neste artigo, vamos detalhar quais são esses efeitos, por que acontecem e como lidar com eles no dia a dia.

Por que os remédios para diabetes podem causar efeitos colaterais?

Todo medicamento age no organismo com um objetivo específico, mas também pode impactar outros sistemas do corpo. No caso dos remédios para diabetes, eles influenciam diretamente o metabolismo da glicose, a liberação de insulina, a absorção de nutrientes e até mesmo o funcionamento do fígado e dos rins. 

Por isso, alguns efeitos colaterais podem surgir, principalmente no início do tratamento ou quando há ajuste de doses. É fundamental lembrar que nem todos os pacientes apresentam esses sintomas, e que os benefícios do tratamento costumam superar os riscos.

Principais classes de medicamentos e seus efeitos colaterais

A seguir, vamos explorar os medicamentos mais usados no tratamento do diabetes e os efeitos colaterais mais frequentemente associados a eles.

1. Metformina

A metformina é um dos medicamentos mais prescritos para o diabetes tipo 2.

  • Como funciona: reduz a produção de glicose pelo fígado e melhora a sensibilidade das células à insulina.
  • Efeitos colaterais comuns:
    • Desconforto abdominal.
    • Diarreia.
    • Náusea.

Gosto metálico na boca.
Esses sintomas tendem a melhorar com o tempo ou quando o medicamento é tomado junto com as refeições. Em casos raros, pode ocorrer acidose láctica, uma complicação séria que exige atendimento médico imediato.

2. Sulfonilureias

Exemplos: glibenclamida, glicazida, glimepirida.

  • Como funcionam: estimulam o pâncreas a liberar mais insulina.
  • Efeitos colaterais comuns:
    • Hipoglicemia (queda excessiva da glicose).
    • Ganho de peso.

Tontura ou fraqueza após longos períodos sem comer.
Esses medicamentos exigem atenção especial na alimentação para evitar episódios de hipoglicemia.

3. Inibidores da DPP-4

Exemplos: sitagliptina, saxagliptina, linagliptina.

  • Como funcionam: prolongam a ação dos hormônios que estimulam a produção de insulina após as refeições.

Efeitos colaterais comuns:

  • Dor de cabeça.
  • Sintomas respiratórios leves (como resfriados).
  • Desconforto gastrointestinal ocasional.
    São geralmente bem tolerados, com baixo risco de hipoglicemia.

4. Agonistas do GLP-1

Exemplos: liraglutida, dulaglutida, semaglutida.

  • Como funcionam: aumentam a produção de insulina quando necessário, reduzem o apetite e retardam o esvaziamento gástrico.
  • Efeitos colaterais comuns:
    • Náusea.
    • Vômito.
    • Perda de apetite.
    • Diarreia ou constipação.
      Esses efeitos costumam diminuir após algumas semanas de uso. Além disso, muitos pacientes relatam perda de peso como efeito adicional.

5. Inibidores de SGLT2

Exemplos: dapagliflozina, empagliflozina, canagliflozina.

  • Como funcionam: aumentam a eliminação de glicose pela urina.
  • Efeitos colaterais comuns:
    • Infecções urinárias.
    • Infecções genitais por fungos.
    • Aumento da frequência urinária.

Desidratação em alguns casos.
Para reduzir o risco, é essencial manter boa hidratação e higiene íntima adequada.

6. Insulina

A insulina é utilizada no diabetes tipo 1 e, em alguns casos, no tipo 2.

  • Efeitos colaterais comuns:
    • Hipoglicemia, se a dose for maior do que a necessidade do organismo.
    • Ganho de peso em alguns pacientes.
    • Reações no local da aplicação, como vermelhidão ou inchaço.
      Com técnicas corretas de aplicação e ajustes de dose, esses efeitos podem ser minimizados.

Como lidar com os efeitos colaterais

Saber identificar e manejar os efeitos colaterais ajuda a melhorar a adesão ao tratamento. Algumas estratégias incluem:

  • Tomar os medicamentos sempre nos horários e doses indicados pelo médico.
  • Manter uma alimentação equilibrada para reduzir sintomas gastrointestinais e prevenir hipoglicemias.
  • Hidratar-se adequadamente.
  • Relatar ao médico qualquer sintoma persistente ou grave.
  • Nunca interromper o tratamento por conta própria.

Quando procurar ajuda médica

Embora muitos efeitos colaterais sejam leves e temporários, alguns sinais merecem atenção imediata:

  • Queda frequente de glicemia com sintomas intensos.
  • Dor abdominal forte e persistente.
  • Falta de ar ou cansaço extremo.
  • Infecções urinárias repetidas.
  • Reações alérgicas graves.

Nesses casos, o médico poderá ajustar a dose, trocar o medicamento ou sugerir medidas complementares.

Conclusão

Os medicamentos para diabetes são aliados indispensáveis no controle da doença, mas podem trazer efeitos colaterais que variam conforme a classe e a resposta individual do paciente. 

O mais importante é manter o acompanhamento médico regular, relatar qualquer alteração percebida e nunca interromper o tratamento por conta própria. Com informação e cuidados adequados, é possível minimizar os efeitos adversos e manter a qualidade de vida.

FAQ

1. Todos os remédios para diabetes causam efeitos colaterais?
Não. Muitos pacientes toleram bem os medicamentos, mas é importante conhecer os possíveis efeitos para agir rapidamente caso surjam.

2. O que fazer se eu tiver hipoglicemia por causa do remédio?
Interrompa a atividade, consuma uma fonte de glicose de rápida absorção (como suco ou balas) e monitore a glicemia. Se os episódios forem frequentes, procure o médico.

3. Metformina sempre causa diarreia?
Não. Embora esse seja um efeito comum no início do tratamento, muitas pessoas não apresentam sintomas ou se adaptam com o tempo.

4. Existe algum remédio que não causa ganho de peso?
Sim. Alguns medicamentos, como os agonistas do GLP-1 e os inibidores de SGLT2, podem até favorecer a perda de peso.

5. Posso trocar meu medicamento se não me adaptar?
Sim, mas somente com orientação médica. Existem várias opções terapêuticas que podem ser ajustadas ao perfil de cada paciente.

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