Entendendo os Diferentes Tipos de Insulina

Última atualização: 04,10,2025 por Professor Borges

O diabetes é uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e, em muitos casos, o tratamento envolve o uso de insulina. Esse hormônio é essencial para que a glicose entre nas células e forneça energia ao corpo. 

No entanto, nem toda insulina é igual. Existem diferentes tipos, com características específicas de início de ação, duração e finalidade. Conhecê-las é fundamental para que o tratamento seja eficaz e adaptado às necessidades de cada pessoa.

Neste artigo, vamos explorar os diferentes tipos de insulina, como funcionam, em quais situações são utilizadas e o que considerar no momento de escolher, junto ao médico, a mais adequada.

O que é insulina e por que ela é necessária?

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas. Sua principal função é ajudar a glicose que circula no sangue a entrar nas células, onde será usada como fonte de energia. 

Quando o corpo não produz insulina suficiente (como no diabetes tipo 1) ou não consegue utilizá-la de forma adequada (como no diabetes tipo 2), os níveis de glicose no sangue se elevam, gerando complicações de curto e longo prazo.

Para controlar essa condição, muitos pacientes precisam aplicar insulina de forma externa, imitando o que o organismo faria naturalmente. A grande questão é que existem diversos tipos de insulina, cada uma projetada para atuar em momentos e necessidades diferentes.

Como as insulinas são classificadas

As insulinas podem ser classificadas principalmente pelo tempo de ação, ou seja, quanto tempo demoram para começar a agir no corpo, qual é o pico de efeito e quanto tempo duram. As principais categorias são:

  1. Insulina de ação ultrarrápida
  2. Insulina de ação rápida
  3. Insulina de ação intermediária
  4. Insulina de ação prolongada (ou basal)
  5. Insulinas pré-misturadas

Vamos entender cada uma delas em detalhes.

1. Insulina de ação ultrarrápida

  • Exemplos comuns: Lispro, Aspart, Glulisina.
  • Início de ação: 10 a 20 minutos após a aplicação.
  • Pico: 1 a 3 horas.
  • Duração: 3 a 5 horas.

Esse tipo de insulina é usado geralmente antes das refeições, pois consegue imitar melhor a resposta natural do corpo ao aumento da glicose após comer.

Vantagem: permite flexibilidade na alimentação, já que pode ser aplicada pouco tempo antes da refeição.
Atenção: como age rapidamente, é importante estar atento para não pular refeições após a aplicação, evitando episódios de hipoglicemia.

2. Insulina de ação rápida

  • Exemplo clássico: Regular (ou insulina simples).
  • Início de ação: 30 minutos após aplicação.
  • Pico: 2 a 4 horas.

Duração: 6 a 8 horas.

Foi a primeira insulina a ser utilizada em larga escala. Ainda hoje é bastante prescrita, mas tem uma limitação: precisa ser aplicada cerca de 30 minutos antes da refeição, o que exige planejamento e disciplina.

Vantagem: custo mais acessível em muitos países.
Desafio: maior risco de hipoglicemia se houver atraso nas refeições.

3. Insulina de ação intermediária

  • Exemplo mais comum: NPH (Neutral Protamine Hagedorn).
  • Início de ação: 1 a 2 horas.
  • Pico: 4 a 12 horas.

Duração: 12 a 18 horas.

Essa insulina é considerada “meio-termo”: não age tão rápido, mas também não é tão prolongada. Normalmente é usada em conjunto com outras insulinas, como as rápidas ou ultrarrápidas, para cobrir as necessidades ao longo do dia.

Vantagem: consegue manter níveis razoáveis de glicose durante várias horas.
Desafio: pode ter variações de absorção, e muitas vezes exige mais de uma aplicação diária.

4. Insulina de ação prolongada (ou basal)

  • Exemplos: Glargina, Detemir, Degludeca.
  • Início de ação: 1 a 2 horas.
  • Duração: 20 a 42 horas (dependendo do tipo).

Esse tipo de insulina é conhecido como “basal”, porque imita a liberação contínua de insulina pelo pâncreas ao longo do dia. Ela não tem pico pronunciado, o que reduz o risco de hipoglicemia.

Vantagem: permite controle estável da glicemia durante o dia e a noite.
Atenção: normalmente é combinada com insulina ultrarrápida ou rápida, para cobrir os picos pós-refeição.

5. Insulinas pré-misturadas

  • Composição: mistura de insulina de ação rápida (ou ultrarrápida) com insulina intermediária.
  • Início de ação: variável, dependendo da proporção.
  • Uso: geralmente antes das refeições principais.

Essas insulinas foram desenvolvidas para facilitar a vida de quem tem dificuldade em seguir esquemas com várias aplicações diferentes. Elas unem dois tipos em uma mesma aplicação.

Vantagem: praticidade, pois reduz o número de injeções diárias.
Desafio: menos flexibilidade, já que a proporção das insulinas não pode ser ajustada individualmente.

Como escolher o tipo ideal de insulina?

Como escolher o tipo ideal de insulina?

Não existe uma resposta única. A escolha depende de fatores como:

  • Tipo de diabetes (tipo 1, tipo 2 ou gestacional).
  • Rotina alimentar e estilo de vida.
  • Horários de trabalho, estudo e sono.
  • Facilidade de acesso aos medicamentos.
  • Preferência do paciente e recomendações do médico.

Muitas vezes, o tratamento combina diferentes tipos de insulina, criando esquemas que simulam da melhor forma a produção natural do corpo.

Dicas práticas para quem usa insulina

  1. Respeite os horários: aplicar fora do tempo indicado pode comprometer o controle da glicose.
  2. Cuide da conservação: insulinas devem ser armazenadas sob refrigeração, mas não congeladas.
  3. Rodízio dos locais de aplicação: evita endurecimento da pele e melhora a absorção.
  4. Monitore a glicemia: ajuda a ajustar as doses junto ao médico.
  5. Atenção aos sinais de hipoglicemia: tremores, suor frio, palpitações e tontura são sinais de alerta.

Novas tecnologias: além da seringa tradicional

Hoje em dia, existem diferentes formas de aplicar insulina, além das seringas tradicionais:

  • Canetas aplicadoras: mais práticas e precisas.
  • Bombas de insulina: liberam pequenas doses de forma contínua, imitando melhor o funcionamento do pâncreas.
  • Sistemas integrados a monitores de glicose: ajustam automaticamente as doses, aumentando a segurança.

Essas inovações estão transformando o cuidado com o diabetes e oferecendo mais autonomia aos pacientes.

Conclusão

Entender os diferentes tipos de insulina é essencial para quem convive com o diabetes. Cada tipo tem sua função e importância dentro do tratamento. 

O que realmente faz diferença é seguir corretamente o esquema indicado pelo médico, manter o monitoramento da glicemia e ter disciplina nos horários de aplicação.

Com informação e acompanhamento adequado, é possível viver de forma saudável e com qualidade, mesmo usando insulina diariamente.

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